14 de outubro de 2014

Quem ama trai?

 

Quem ama trai?

Marlene Heuser (Matchmaker à frente da agência de namoro e casamento Golden Years)

A palavra traição quase sempre causa mal estar. Quem gosta de ser traído?  Apenas a título de curiosidade, a sexta-feira santa nos arremete para a traição de Judas.

Embora haja muitos tipos de traição, amigos, parentes, colegas, em todos os casos sempre causa muito sofrimento aos envolvidos, em especial, à pessoa traída. Muitas considerações podem ser feitas sobre as várias formas de traição e suas motivações. Mas, vou me fixar na mais conhecida e temida: a traição conjugal.

Muita gente diz que traição é a satisfação de um desejo fútil e súbito de alimentar o ego. O ser humano adora conquistar, mesmo estando bem na relação. Olhar, paquerar é gostoso, faz bem e massageia o ego. Depois vira a página, sem problemas, sem culpa.

Manter um relacionamento, nos dias de hoje, em que as pessoas estão cada vez mais voltadas para si e esquecem o verdadeiro significado da palavra casal, não é para qualquer um. Sinceridade, amizade, carinho, diálogo e atenção são algumas formas de manter a chama acesa. Poderá não ser imortal, mas que seja, pelo menos, infinito enquanto dure.

Cada um faz o que quer, mas ninguém quer ser traído. Quando você confia em alguém que escolheu para ficar ao seu lado, quer exclusividade sexual. As pessoas traem quando não estão sendo correspondidas à altura. A fidelidade é uma conseqüência de uma união sadia e verdadeira.

Existe uma utopia, um ideal dos casais em relação a esse assunto, que só entendem o lado sexual. Mas, fidelidade é muito mais do que isso. Ela está na sinceridade do contato, do compromisso diante da vida, na preocupação diária com o parceiro. Quando optamos por uma relação séria e duradoura, a amizade deve estar sempre presente. Namorar significa construir uma relação. Quando alguém tem necessidade de sair com outra pessoa é porque algo não vai bem no relacionamento. O problema está na construção dos relacionamentos, onde não se fala tudo, não se é verdadeiro no sentido mais amplo da palavra. As pessoas se acomodam com as coisas práticas da vida, a casa, as contas, a rotina… Quebrar tudo dá trabalho e trair é mais fácil. A honestidade é essencial e está acima da fidelidade, que é uma consequência.

A infidelidade traz marcas profundas para o casal, pois desequilibra a relação ferindo a regra da cumplicidade, quebra o ideal e deixa cicatrizes difíceis de sarar. Essa situação, quando não tratada, pode acabar com a relação.

O ser humano, quando em situação de rejeição real ou imaginária, tende a sofrer um abalo forte na auto-estima e, consequentemente, na capacidade de reações sensatas e adequadas.

Para não detonar seu relacionamento, doses de criatividade e cumplicidade são indispensáveis, porque a vida agitada não ajuda em nada a manter a harmonia. Hoje em dia sobra pouco tempo para pensar na relação, falta diálogo, interesse nas coisas do outro. É uma cultura individualista, de se realizar profissionalmente. A loucura do dia a dia e a eterna guerra dos sexos estão acabando com os valores da boa convivência. Está muito difícil acreditar nas pessoas, tanto nos homens, quanto nas mulheres. As mulheres costumam dizer que os homens são todos iguais e que eles não querem um compromisso mais sério. Ora, se você está com uma pessoa, é porque, a princípio, é a pessoa certa para você, não é mesmo? Bem, se você trair, é porque a pessoa não é a certa. Então, por que não terminar antes da traição?

Costumo dizer que muita gente trai em busca de um aspecto que falta em sua relação. Tipo: a pessoa que idealiza encontrar um homem inteligente, bem sucedido profissionalmente e financeiramente, que adora viajar e dançar. Acaba encontrando um homem inteligente, culto, bom caráter, do tipo fiel, mas que não curte a noite. Quando se deparar com o sujeito idealizado, certamente, primeiro irá trair o parceiro para depois decidir com qual ficará. Nenhuma relação é perfeita, se algo lhe faz falta, ou você resolve conversando, ou acaba a relação. No entanto, é bom não esquecer que existem duas situações que precisam ser analisadas. Quando o casal está namorando o rompimento pode ser bem menos doloroso e menos problemático do que quando existe uma situação de casamento com filhos.

É importante lembrar que traição não é apenas quando um terceiro elemento entra no relacionamento, mas quando determinadas atitudes que partem do outro são interpretadas como uma ameaça. “E se ele me deixar para voltar com a ex?”. Esta é uma situação que vive quem  continua mantendo um relacionamento amigável com o(s) ex. Sempre que acontece um stress na relação, é possível pedir colinho para o próprio.

Uma boa maneira de lidar com a fidelidade num relacionamento é discutir francamente com seu parceiro ou pretendente sobre o que ela significa para vocês. Estipulada as regras, tudo fica mais fácil.
 

 

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