02 de abril de 2015

O desafio de recomeçar

recomeço

 

‘Não importa onde você parou… em que momento da vida você cansou… o que importa é que sempre é possível e necessário “recomeçar”…’ Carlos Drummond Andrade

Sacudir a poeira e dar a volta por cima. É o que os amigos nos dizem quando saímos de um longo relacionamento. Passado o período do sofrimento, chega o momento da reconstrução de si mesmo. Hora de se amar, de se curtir, de começar novos desafios. Ressurgir das cinzas tal qual uma fênix, a ave mitológica que colocava fogo no próprio ninho para ressurgir rejuvenescida de suas cinzas.

Parece fácil. Ah! Que bom se fosse. Sair daquele momento de tristeza, onde nem nós mesmos nos aturamos, nos sentimos um lixo, mal humorados, de mal com vida, e passar para um estado latente de euforia como se nada tivesse acontecido, só com muita força de vontade para recomeçar. Mas é possível.

O primeiro passo é voltar a se amar. Quando apaixonados nos jogamos de corpo e alma e, muitas vezes, nos esquecemos das nossas próprias necessidades. Esquecemos que o relacionamento mais duradouro que temos é o relacionamento com nós mesmos. Todos os outros vêm e vão. Só o relacionamento com nós mesmos é eterno porque até mesmo os casamentos que duram “até que a morte nos separe” acabam um dia. Quando começamos o relacionamento esperamos que seja para sempre, mas parece que nos dias atuais só encontramos relacionamentos que duram “até que a primeira crise nos separe”.

O escritor Leo Fressato, famoso pela sua letra “Oração”, feita para a Banda Mais Bonita da Cidade, disse algo interessante sobre os relacionamentos em seu Facebook. “Procura-se amores que não se dissolvam em menos de um ano. Os celulares, feitos pra serem trocados a cada dois anos, tem 4 vezes a vida útil dos amores de hoje. Esquisito. Mas os amores são descartáveis. E facilmente viram sucata.”

Não podemos generalizar, é claro, mas as palavras de Fressato têm um fundo de verdade. Os relacionamentos estão mais “líquidos” e instáveis, como diz o escritor Zygmunt Bauman.

Por isso a importância de se amar em primeiro lugar. Ressurgir vitorioso das cinzas da separação é possível quando se está disposto a dar uma nova chance a si mesmo. É renovar as esperanças na vida, acreditar no próximo e principalmente em si mesmo. Tirar lições importantes do que passou, perdoar a quem feriu nosso coração e ir à luta!

O próximo passo é se desapegar do passado. Se desfazer das lembranças e traçar novos objetivos como: sair com os amigos, um novo curso, cuidar do visual, investir na qualificação profissional, ou fazer uma série de coisas que ficaram de lado.

Esse novo mundo gera ansiedade, sentimento de medo e angústia. É o medo do desconhecido. De vir a ter e perder novamente. E se eu sofrer novamente?
Neste momento, muitas vezes, se instala a amargura. Isto acontece porque o coração ainda não foi totalmente esvaziado, não está pronto para a nova vida.

Mas procure entender que o sofrimento faz parte da vida; é como o sal na comida. O caminho é não se entregar a ele e ficar na posição de vítima. Encare-o como um desafio. E você sabe o que acontece quando superamos um obstáculo, certo? Saímos mais fortes, maduros e com mais vida.

Este período é importante para estar próximo aos amigos e ter forças para valorizar a própria individualidade. Estar pronto para exercer a própria liberdade das escolhas pessoais. Se despedir do passado, confiar no próprio taco, estar com o coração aberto para viver um novo amor, apto a escrever um novo capítulo da história da sua vida.

 

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